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12/08/2009 , às 19h11

Brasil tem a segunda menor taxa de mortalidade entre os 15 países com mais óbitos no mundo


 Até 12 de agosto, país registrou 0,09 mortes em cada grupo de 100 mil habitantes. Argentina, Uruguai e Costa Rica lideram a lista, seguidos de Chile e Austrália, segundo dados do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças

O número oficial de óbitos causados pela nova gripe notificado no mundo até esta quarta-feira (12/8) revela que o Brasil tem a 14ª taxa de mortalidade entre os 15 países com o maior número absoluto de mortes. Com 192 registros, o país apresenta uma taxa de 0,09 óbitos em cada grupo de 100 mil habitantes, maior apenas que a do Reino Unido – 40 mortes e índice de 0,06 por 100 mil.

Países vizinhos, Argentina (0,83) e Uruguai (0,65) têm as maiores taxas, seguidos de Costa Rica (0,61), Chile (0,57) e Austrália (0,46). Em todo o mundo, foram notificados, até esta data, 1.882 óbitos em 48 países. As informações são do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças.

A taxa de mortalidade (número de óbitos relativos à população) passou a ser utilizada no lugar da taxa de letalidade (número de mortes em comparação ao total de casos de determinada doença) para monitorar a gravidade da nova gripe. A mudança na metodologia aconteceu porque, em 16 de julho, por meio de comunicado oficial aos países-membros, a Organização Mundial de Saúde (OMS) reconheceu que não era mais possível contabilizar todos os casos da nova gripe, tornando inviável calcular a taxa de letalidade.

Óbitos e taxa de mortalidade (por 100 mil habitantes)

País
Óbitos
População
Taxa de mortalidade
1. Argentina
338
40.276.376
0,83
2. Uruguai
22
3.360.854
0,65
3. Costa Rica
28
4.578.945
0,61
4. Chile
97
16.970.265
0,57
5. Austrália
100
21.292.893
0,46
6. Paraguai
27
6.348.917
0,42
7. Canadá
66
33.573.467
0,19
8. Malásia
44
27.467.837
0,16
9. Peru
45
29.164.883
0,15
10. Equador
21
13.625.069
0,15
11. México
162
109.610.036
0,14
12. Tailândia
97
67.764.033
0,14
13. EUA
436
314.658.780
0,13
14. Brasil
192
193.733.795
0,09
15. Reino Unido
40
 61.565.422
 0,06


Fontes: Óbitos: http://www.ecdc.europa.eu (atualização em 12/8)
População: IBGE /2009 – http://www.ibge.gov.br 

NOVA ESTRATÉGIA – Dois motivos principais levaram a OMS a mudar de estratégia. O primeiro foi a semelhança observada entre a nova doença e a gripe comum. E o segundo, com base na experiência de outras pandemias, foi a constatação de que a contagem de casos individuais não é mais essencial nesses países para monitoramento, seja pelo nível ou natureza do risco representado pelo vírus pandêmico, seja para orientar medidas de resposta mais apropriadas. Como consequência, os exames laboratoriais de biologia molecular, única forma de diagnosticar o novo vírus, deixaram de ser indicados para todos os casos com sintomas de gripe.

“É importante ficar claro que essa prática não é exclusiva do Brasil, vem sendo adotada por vários países. Vamos continuar a registrar o número de casos, mas apenas em pacientes graves, no caso de óbitos e para confirmar surtos em comunidades fechadas, como escolas, creches e empresas”, diz o diretor de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde, Eduardo Hage.

Nesta fase da doença, com mais de 180 países afetados, muitos deles com livre circulação do vírus, o objetivo não é mais saber se todos os que têm gripe foram infectados por vírus da influenza sazonal ou pelo novo vírus, diz Eduardo Hage. “Para o paciente com sintoma leve, não faz diferença saber se tem a nova gripe ou a sazonal. Faz, sim, diferença para os casos graves ou as pessoas com fatores de risco, justamente os casos previstos no protocolo para indicação de exame laboratorial”.

Fatores e grupos de risco com indicação para tratamento e exame laboratorial

- Grávidas 
- Crianças menores de 2 anos e idosos com mais de 60 anos 
- Pessoas com doenças que debilitam o sistema imunológico (defesas do organismo), como câncer e aids, ou que tomam regularmente medicamentos que debilitam o sistema imunológico 
- Pessoas com doenças crônicas preexistentes, como problemas cardíacos (como arritmias), pulmonares (exemplos: bronquite e asma), renais (pessoas que fazem hemodiálise, por exemplo) e sanguíneos (como anemia e hemofilia)
- Diabetes, hipertensão e obesidade mórbida.


ENTREVISTA – Eduardo Hage


AGÊNCIA SAÚDE – Se todos os casos da nova gripe não são mais contados, como o Ministério da Saúde monitora a circulação do novo vírus no país?
EDUARDO HAGE
– Esse trabalho não é novo. Vem sendo feito desde 2000, por meio de uma rede sentinela que tem 62 unidades em todo o país, pelo menos uma por unidade da federação. É essa rede que acompanha a circulação dos vários tipos de vírus influenza no Brasil e também a ocorrência de surtos. A rede permite que as autoridades sanitárias monitorem a ocorrência de surtos devido ao vírus da gripe comum, e, agora, do novo vírus, por meio da coleta sistemática de amostras de secreção nasal e envio aos três laboratórios de referência para influenza, a Fundação Oswaldo Cruz (RJ), o Instituto Adolf Lutz (SP) e o Instituto Evandro Chagas (PA).

AS – Não se usa mais a taxa de letalidade?
EH
– Sim, mas apenas para os casos graves. Esses, sim, são possíveis de contabilizar, porque o Brasil tem um critério claro de classificação. Consideramos caso grave todos os pacientes com agravamento súbito do estado de saúde e com febre, tosse e dificuldade respiratória, mesmo que moderada. Isso nos permite acompanhar os casos graves da doença, que felizmente são a menor parte. Na grande maioria dos casos, os pacientes se recuperam com facilidade. Tem sido assim em todo o mundo.

AS – E nos casos graves, como está o Brasil em relação a outros países?
EH
– Não é possível fazer essa comparação porque não existe um protocolo único, da OMS, definindo o que é caso grave e recomendado para todos os países. Ou seja, cada país adota um critério. Então, não existe uma base segura e confiável para comparar.

AS – O Brasil é o terceiro país com o maior número de registros, atrás de Argentina (338) e Estados Unidos (436). Isso preocupa o governo?
EH
– Claro que sim. O governo lamenta cada morte, mas lembra à população que não há motivo para pânico. A doença, repito, na grande maioria dos casos, apresenta sintomas leves. Portanto, ao sentirem qualquer sintoma de gripe, as pessoas devem procurar imediatamente o médico de confiança, não os hospitais, que além de não serem o melhor lugar para tratar gripe, devem estar livres para atender aos casos graves. E a rede de saúde do país está preparada para isto: são 1.978 leitos de UTI, em 68 hospitais de referência.

Fonte: http://portal.saude.gov.br

Médicos devem monitorar bebês e grávidas que usam remédio contra a nova gripe


 O alerta da Anvisa é para os profissionais, que devem seguir as orientações previstas nos protocolos do Ministério da Saúde sobre a doença

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou dois alertas orientando os profissionais de saúde a monitorar as pacientes grávidas e crianças menores de um ano que estejam fazendo uso do medicamento fosfato de oseltamivir (Tamiflu), utilizado no tratamento dos casos da gripe causada pelo vírus A (H1N1). A orientação foi adotada como forma de reforçar os cuidados com a segurança dos pacientes, pois ainda não existem dados suficientes sobre o uso deste medicamento que permitem uma avaliação definitiva quanto aos efeitos causados nesses dois tipos de pacientes.

Para os menores do um ano, a Anvisa recomenda que os médicos façam uma avaliação nas primeiras 48 horas e 30 dias após o uso da primeira dose. As mulheres grávidas devem ser avaliadas neste mesmo intervalo e em até 30 dias após o parto. É importante que os profissionais de saúde notifiquem todas as suspeitas de reações adversas ao fosfato de oseltamivir (ou a qualquer medicamento) por meio do sistema Notivisa.

A preocupação da Anvisa já havia gerado um alerta anterior, em julho. Na ocasião, a Agência chamou a atenção de pais e profissionais de saúde para o risco de utilização de medicamentos contendo ácido acetilsalicílico em crianças e adolescentes, em especial, para o alívio dos sintomas associados às infecções virais. De acordo com orientação, o uso destes medicamentos deve ser feito com atenção, principalmente durante o inverno, período no qual os casos de gripe tendem a aumentar. O cuidado vale tanto para os casos de gripe comum como da gripe A H1N1.

Para a Agência Nacional de Vigilância em Saúde, o cuidado se deve ao risco que crianças e adolescentes tem de desenvolver a Síndrome de Reye. Ela pode ocorrer durante a recuperação de uma infecção viral ou pode se desenvolver de 3 a 5 dias após o início da virose. Seus sintomas incluem: vômito recorrente ou persistente, letargia, mudanças de personalidade como irritabilidade ou agressividade, desorientação ou confusão, delírio, convulsões e perda da consciência, exigindo assistência médica imediata.

A causa da doença ainda não é conhecida. Entretanto, estudos demonstraram que o uso de medicamentos que contêm ácido acetilsalicílico no tratamento de doenças virais aumenta o risco de seu desenvolvimento. A restrição já está no Protocolo de Manejo Clínico e Vigilância Epidemiológica da Influenza publicado pelo Ministério da Saúde.

Veja a íntegra dos alertas: (http://www.anvisa.gov.br/farmacovigilancia/alerta/index.htm)